A poluição plástica é um dos maiores desafios ambientais da atualidade, contaminando nossos oceanos, o ar que respiramos e até mesmo nossos corpos. Embora a reciclagem de plásticos seja uma prática crescente, os números ainda são alarmantes. Apenas 9% dos plásticos produzidos no mundo são efetivamente reciclados, enquanto a grande maioria termina na natureza ou é incinerada. Mas, por que essa taxa de reciclagem é tão baixa? O problema é multifacetado e envolve questões tanto técnicas quanto políticas.
Em primeiro lugar, a reciclagem do plástico é um processo complexo. Existem milhares de tipos de plásticos, cada um com suas propriedades e exigências específicas de processamento. Isso torna a triagem e a separação de materiais uma tarefa extremamente difícil. Por exemplo, uma garrafa plástica comum de água pode ser feita de PET (polietileno tereftalato), mas ela não pode ser reciclada de forma eficiente junto a outras garrafas de plástico que, apesar de parecerem semelhantes, são feitas de materiais diferentes ou de cores diversas. Cada tipo de plástico precisa ser tratado de maneira específica, o que torna o processo mais caro e menos eficiente.
Além disso, muitos plásticos contêm aditivos químicos para torná-los mais flexíveis, impermeáveis ou coloridos. Embora esses aditivos possam melhorar as características do produto, eles também podem ser prejudiciais à saúde dos trabalhadores que lidam com o material durante a reciclagem. E, em muitos casos, esses aditivos tornam o plástico mais difícil de processar de forma segura e eficaz.
Outro desafio significativo é a contaminação dos plásticos. Muitos plásticos recicláveis estão contaminados por resíduos de alimentos ou outros materiais, como rótulos de embalagens que não saem facilmente. Isso pode impedir que um lote inteiro de plástico seja reciclado e fazendo com que ele acabe sendo descartado de forma inadequada, seja por incineração ou despejo em aterros sanitários.
O mundo produz 460 milhões de toneladas de plástico anualmente, e esse número deve dobrar até 2050. Entretanto, de cada 100 quilos de plástico produzidos, 79 acabam na natureza, 12 são incinerados e apenas 9 são reciclados. A reciclagem, embora essencial, não está conseguindo acompanhar o ritmo de produção do plástico, o que agrava ainda mais a crise ambiental.
A recente reunião em Busan, na Coreia do Sul, onde representantes de quase 180 países discutiram a criação de um tratado internacional para combater a poluição por plásticos, revela as dificuldades em superar esses obstáculos. A falta de um acordo unificado sobre como proceder em relação à reciclagem de plásticos e à redução da produção tem sido uma das maiores barreiras para o avanço de soluções eficazes.
Embora o cenário seja desafiador, há esforços globais para aumentar a taxa de reciclagem de plásticos. Uma das possíveis soluções seria padronizar os tipos de plásticos produzidos, o que facilitaria a reciclagem e a classificação. Além disso, a limitação do uso de aditivos químicos e a transparência por parte das empresas sobre os materiais usados podem contribuir para melhorar a qualidade do plástico reciclado.
É fundamental também que os países invistam em infraestruturas de coleta e processamento de resíduos, tornando a reciclagem mais acessível e eficiente. A educação ambiental também desempenha um papel crucial, incentivando as pessoas a reciclarem corretamente e a reduzirem o consumo de plásticos descartáveis.
No Brasil e no mundo, iniciativas como as da Recicla são essenciais para promover o aumento da reciclagem e para impulsionar a economia circular. Ao focar no reaproveitamento de materiais e na conscientização ambiental, a Recicla contribui para um futuro mais sustentável, onde a reciclagem não é apenas uma possibilidade, mas uma realidade acessível e eficaz.
A guerra contra a poluição plástica está apenas começando, e é preciso que todos, desde governos até cidadãos, se unam para garantir que o futuro seja livre da ameaça de plásticos acumulados no meio ambiente.
Fonte: UOL
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